Dois restaurantes bem interessantes em Florença

Roberta Ristori 1 07:17


Queridos, nessas minhas ultimas andanças aqui em Florença, acabei descobrindo dois restaurantes bem interessantes que agradam, simultaneamente , bolso e paladar.

O primeiro, a Trattoria I’ Raddi, fica na charmosa e historica regiao do Oltrarno. O ambiente é gracioso e bastante acolhedor. No cardapio, diversos pratos tipicos florentinos, toscanos e de outras regioes da Italia, tudo devidamente separado.

Uma refeiçao com antepasto, “primo piato” (massa), sobremesa, vinho e cafe, sai em torno de 20 euros por pessoa. Tambem é passivel optar pelo menu do dia, selecionado pela casa que inclui o primo piato, o secondo piato (carne com acompanhamento), agua e um copo de vinho por 16 euros.

O segundo, é o La Martinica, proximo à Via de’ Tornabuoni.  O local è rustico e, embora, o serviço seja um pouco lento, a deliciosa comida compensa a espera. O ravioli de tartufo bianco com molho de aspargos, estava simplesmente divino. Os preços tambem sao convidativos.

Trattoria I’Raddi – Via dell’Ardiglione, 47/R tel.: 055-211072 (fechado às quartas-feiras)
La Martinica Ristorante – Via del Sole, 27/R tel.:  055-218928 (fechado aos domingos)

Serravalle Pistoiese

Roberta Ristori Reply 05:28


Era uma vez uma cidade minuscula, onde, entretanto, cabiam dois castelos. Ainda que nao seja um lugar imperdivel, Serravalle Pistoiese é cheia de encantos.

Situada na provincia de Pistoia, a curta distancia de Florença e Lucca, a pequena localidade incrustrada nas colinas verdejantes da Toscana, pode ser uma outra boa opçao de base para quem quer conhecer a regiao.

Serravalle tem sua historia escrita em linguagem poetica, pelos muros e paredes de seus antigos “palazzi”. Enquanto passeia, encontrara as plaquinhas que exautam os meritos locais, assim, ao acaso. Pequenas surpresa escondidas aqui e ali, para envolver seus visitantes numa atmosfera magica e perdida no tempo.

Va conhecer a Rocca di Castruccio Castracani e a Torre del Barbarossa. Suba todas as escadas que encontrar, as vistas irao te recompensar. Silenciosa, singela e bucolica, um lindo passeio, mais do que recomendado. Veja as fotos no Flickr!

Noticias em breve!

Roberta Ristori Reply 07:59
Queridos, ainda estou parcialmente desconectada Aqui em Firenze, mas logo, logo estarei de volta ao blog e ao twitter com noticias, dicas e novidades! Aguardem!

Assimilando Leonardo e Michelangelo: Rafael

Roberta Ristori Reply 07:02


Rafael, o mais jovem dos 3 gigantes, nascido em 1483, filho de um pintor relativamente insignificante, foi aprendiz de Perugino, que lhe ensinou a claridade e a evitar o excesso de ornamentos, características de seu estilo. Os anos de sua formação transcorrem sem problemas e livres de grandes compromissos.

Inicialmente, seu estilo confundia-se com o de seu mestre, mas lentamente começou a agregar exeperiências de outros artistas mais velhos. Aos 21 anos, Rafael chega a Florença, com uma carta de recomendação da marquesa de Montefeltro e os intensos debates sobre a renovação da arte impressionam o jovem pintor.

Leonardo supreendeu o público com sua Monalisa e Michelangelo já havia terminado seu magnífico David. Tudo isso impactou profundamente Rafael que começa a desenvolver seu estilo próprio, esforçando-se por assimilar as conquistas alcançadas pelos demais.

Diferente de Leonardo que frequentemente faz com que se instale um clima di inquietude, de mutabilidade em suas obras, Rafael nunca abandona o equilíbrio das massas que se distribuem harmoniosamente pelas suas composições.

Em 1508, pouco depois de chamar Michelangelo, o papa Julio II chama também Rafael à Roma. O motivo foi a necessidade de decorar uma série de dependências da residência papal com afrescos seguindo um conceito teológico mais elaborado. Desejava-se um estilo mais livre e generoso que se mostrasse mais de acordo com o poderio e grandeza do Papado romano.

Assim como Michelangelo na abóbada da Capela Sistina, Rafael também imortalizou fisionomias de diversas personalidades da época em seus afrescos, entre eles o próprio Leonardo e Bramante, o novo arquiteto da Basílica de São Pedro.

A luz, a leveza a a harmonia que resultam de suas obras são espantosas. Tudo é leve, tudo é sublime, a paz reina absoluta até em meio ao caos, como por exemplo na pintura "O Incêndio do Borgo" e "Stanza d'Eliodoro".

No "Triunfo de Galatéia", pintado em 1512, Rafael reproduziu a claridade do espírito da Antiguidade. Boa parte da beleza da jovem, provém da timidez e inocência que lhe iluminam o rosto, como se não estivesse consciente de seus atributos físicos.

Notoriamente influenciado por Michelangelo, a partir da época em que foi destapada a primeira parte do teto da Capela Sistina, em 1509, os nus de Rafael começam a tornar-se masi volumosos, com braços mais robustos.

O jovem gênio tratou de absorver da melhor forma possível, os objetivos artísticos de Leonardo e Michelangelo. Este último, teria se queixado em uma carta: "... pois o que esse (Rafael) aprendeu de arte, deve a mim."

*Fonte: "A Arte da Renascença Italiana" - Rolf Toman, texto sobre A Pintura do Alto Renascimento e do Maneirismo em Roma e na Itália Central de Alexander Rauch.

**A imagem que ilustra o post é de "O incendio do borgo", de Rafael.

Venerado (e triste) Michelangelo

Roberta Ristori Reply 07:03

Michelangelo é uma das figuras mais veneradas de todos os tempos. O gênio ao qual o nome sempre esteve atrelado a adjetivos como "divino", no entanto, sofreu enormemente para atingir o nível de excelência e levar adiante seu magnífico trabalho.

Escreveu o crítico de arte Pietro Arentino a seu respeito: "Com a maior das honras deve saudar-vos, pois o mundo possui certamente muitos reis, mas apenas um único Michelangelo".

Curioso pensar que ele preferisse a escultura à pintura ao nos depararmos com o espetacular teto da Capela Sistina. Inquestionavelmente sublime que sempre foi nas duas artes, segundo os estudiosos, nunca teria se dedicado a esta última por iniciativa própria.

Em 1505 foi chamado a Roma para projetar o mais imponente dos túmulos de até então para o Papa Julio II. Repentinamente, com apenas a parte inicial do projeto pronta, o papa mudou de idéia e Michelangelo viu-se forçado a dedicar-se à pintura da abóbada da Capela.

Julio II queria assegura o legado da Antiguidade através de todo um complexo sistema de referências contidos ali. O senhor da Igreja de São Pedro era também o soberano de uma nova Roma que ressurgia por entre as ruínas da antiga capital do império.

Sendo assim, a pintura talvez possa ser interpretada da seguinte forma: a história da Salvação que promete uma "vida eterna", libertou Roma do paganismo para elevá-la a categoria de "cidade eterna". A essa Roma ressurgida sob o poder do papa cabia agora o papel de difundir e manter o Cristianismo no mundo.

De acordo com a interessantíssima e coerente opinião de Alexander Rauch, autor do texto que foi fonte deste post, o programa completo da obra é reflexo a ambição política de Julio II, que provavelmente participou da criação do complexo sistema iconográfico.

A cúpula foi destampada em outubro de 1512 e, no mês anterior, Michelangelo escrevera ao seu irmão: "Comunico-vos que não tenho um cêntimo e que estou praticamente descalço e nu, não podendo receber o resto dos meus honorários até que a obra esteja concluída, de modo que tenho que suportar as maiores privações e misérias...desde que podeis não utilizar meu dinheiro...em todo o caso farei tudo o que puder para celebrar convosco o dia de Todos os Santos, se Deus quiser. Michelangelo, escultor em Roma."

Carta comovente (acrescentaria revoltante) que revela um Michelangelo humilhado e acossado pelas imensas exigências de sua posição, um artista que embora tenha atingido o cume da pintura de seu século, modestamente se auto-intitula apenas "escultor".

Julio II pressionou o artista "só" até determinado ponto, para não arriscar-se a perdê-lo, mas o tratamento a ele dispensado está muito distante de ser considerado um exemplo de nobreza. Apesar do papa poder ter pretendido mostrar aos mais eruditos, através da pintura da Capela Sistina, um programa de profundos conteúdos que equiparava seu papado com os séculos áureos do Império Romano, transformando-se em seu legítimo sucessor, Michelangelo sempre soube o dever que a pintura impõe: "nela devem ler todos aqueles que não conhecem as letras, no lugar do livro surge a imagem" - e em sua maravilhosa obra nunca se excusou a esses esforços.

Entretanto, em um de seus derradeiros sonetos o artista define-se: "Sou um saco de pele, repleto de ossos e nervos, o meu rosto é a imagem do horror,...as tão aclamadas artes, que eu tão bem dominei, trouxeram-me até aqui ... sou como o tutano em seu invólucro, enclausurado, pobre e solitário ... A minha alegria é a melancolia, o meu repouso o tormento. Calhar-me-ia bem a figura do bobo, com esta cabana aqui, no meio dos palácios, consumido estou, dilacerado e quebrado por tanto esforço ... Miserável, velho, dependente de outros. Desfaço-me em pedaços se não morrer em breve!". Triste e intrigante combinação de miséria e maravilha.

*Fonte: "A Arte da Renascença Italiana" - Rolf Toman, texto sobre A Pintura do Alto Renascimento e do Maneirismo em Roma e na Itália Central de Alexander Rauch.

**A imagem que ilustra o post é da "Sagrada Familia", de Michelangelo.

Tempo e movimento: Leonardo

Roberta Ristori Reply 07:08

Poucos quadros na história provocaram tantas opiniões, especulações, contradições, estudos e louvores quantos a Monalisa de Leonardo da Vinci  - o mais velho dos 3 gigantes (leia no post de ontem) e seu sorriso enigmático.

Creio que o mais interessante aqui seja a concepção que o próprio Leonardo tem da arte: "O instante é intemporal. O tempo surge através do movimento do instante, e os instantes são pontos finais do tempo". Provavalmente ele foi o primeiro artista a integrar o fenômeno "tempo" na pintura.

Nada no rosto, nas mãos e na pose da Monalisa expressa algo de permanente, de tangível. Isso não decorre apenas da técnica da pintura, o "sfumato" que a torna inacessível, mas tudo ali é passível de intepretações diversas e de mudança a qualquer momento.

O sorriso oscila entre a alegria e a contemplação, o olhar é simultaneamente doce e calculista, a expressão do rosto pode ser traduzida como interrogação ou conhecimento. A beleza da Monalisa é a beleza do intangível, tal como o próprio tempo. O tempo e o movimento são os fenômenos que Leonardo tematizou de forma tão inovadora.

*Fonte: "A Arte da Renascença Italiana" - Rolf Toman, texto sobre A Pintura do Alto Renascimento e do Maneirismo em Roma e na Itália Central de Alexander Rauch.

**A imagem que ilustra o post é da "Anunciaçao", de Leonardo.

Os 3 gigantes

Roberta Ristori Reply 07:26

O período que foi chamado de "Alto Renascimento", embora curto - 1490 a 1530, é considerado a época áurea do Renascimento, o apogeu de uma nova concepção espiritual e artística  do mundo.

Uma das principais características das obras do período em todos os gêneros - arquitetura, escultura e pintura - é que em vez de cenas complexas ou formas isoladas, em vez do requinte dos ornamentos, passamos a encontrar formas reduzidas a proporções simples, mas bastante generosas.

Também a policromia que marcou a primeira fase do Renascimento, passa a ser substituída pelo realce de algumas poucas tonalidades principais. Na pintura, as figuras começam a ter dimensões significativamente maiores e os grupos de personagens ou figuras isoladas, enchem quase todo o espaço da composição - a figura parece querer sair da pintura.

Esta fase sublime destaca 3 gigantes, 3 gênios incomparáveis: Leonardo da Vinci, Michelangelo e Rafael . Três personalidades artísticas completamente diferentes, cada uma manifestando-se de forma inconfundível.

Leonardo, o investigador e pensador ensimesmado, inventor de aparelhos técnicos e máquinas bélicas, filósofo e ousado que afirmou ainda muito antes de Copérnico que "o Sol não se move". Pleno de mistérios e enigmas que até hoje intriga estudiosos e pesquisadores e enche de fantasias as mentes de escritores, como Dan Brown, em "O Código da Vinci".

Michelangelo, o lutador solitário, nostálgico, a personalidade um tanto sombria em imenso contraste com a delicadeza e profundidade de suas lindíssimas obras. O gênio que esforçou-se até a exaustão para atingir a perfeição e a beleza.

Rafael o jovem indômito, coroado de êxito, sensacional com sua obra cristaliana e transbordante de harmonia - a divina ligeireza.

O Renascimento expande-se gloriosamente de Florença e da Toscana para Roma e o mundo. As obras do Alto Renascimento começam a ser criadas em honra do Papado que se considerava o herdeiro legítimo da Roma imperial e vira instrumendo de força nas mãos de figuras como Júlio II que decide usar as estupendas obras para contar ao povo que não sabe ler, sobre o poder e as histórias da Igreja.

O teto da Capela Sistina, maravilhosamente pintado por Michelangelo é um grande exemplo disso e representa o culminar lógico deste pensamento.

*Fonte: "A Arte da Renascença Italiana" - Rolf Toman, texto sobre A Pintura do Alto Renascimento e do Maneirismo em Roma e na Itália Central de Alexander Rauch.

**Na imagem que ilustra o post, da esquerda para a direita: "Dama com o Arminho", de Leonardo, detalhe do teto da Capela Sistina, O Pecado Original, de Michelangelo e "O Triunfo da Galatea", de Rafael.


De malas prontas!

Roberta Ristori 4 07:02


Queridos, na proxima semana continua o especial sobre as curiosidades do universo artistico que interrompi essa semana, porque tinha informaçoes importantes para passar para voces.

Quando este texto for publicado, devo estar no aviao a caminho de Florença! Esse é o motivo dos atrasos nas respostas dos comentarios e e-mails de voces nessas ultimas semanas. Se arrumar as malas de ferias ja é tarefa dificil, imaginem agora prepara malas de mudança, sem extrapolar o limite de bagagem!

Peço desculpas tambem aos amigos e parceiros do Twitter, pelas eventuais falhas em #TTs e #FFs. Tudo culpa da minha viagem, mas o Giro entra agora numa fase de muitas novidades e eu continuo a disposiçao de todos que precisarem de dicas e informaçoes para tornar ainda mais incriveis seus dias na Toscana!

Quem quiser acompanhar meus olhos nessas novas andanças, confiram sempre as fotos do blog no Flickr. Nao vejo a hora de chegar e encher a pagina com novas imagens maravilhosas!

Peço um pouquinho da paciencia de voces no inicio da minha vida toscana, deixo ja alguns textos prontos, mas ainda assim, acredito que precisarei de algum tempo para entrar no ritmo e colocar tudo em ordem. Se por acaso a atualizaçao diaria do blog falhar, ja me desculpo antecipadamente.

Aproveitem para atualizar a leitura e conferir as dicas que ja foram publicadas aqui no Giro! Prometo que logo, logo o blog estara recheado de novidades fresquinhas e dicas interessantes!


A criatividade se espalha por Florença!

Roberta Ristori Reply 07:15


O Festival della Creatività (Festival da Criatividade) que acontece anualmente, em Florença, chega a sua quinta ediçao e comemora o sucesso dos anos anteriores de cara nova.

O evento que acontece entre 21 e 24 de outubro com realizaçao da Fundaçao Sistema Toscana e Toscana Eventos, assume uma nova dimensao, sai da Fortezza da Basso, onde foi realizada a ultima ediçao e invade o centro historico da cidade.

O Festival valoriza as novas ideias e aposta na criatividade capaz de gerar recursos e crescimento para superar a crise economica. A ediçao do ano passado (leia aqui e aqui) ja foi maravilhosa e este ano promete ainda mais!

A antiga prisao de Le Murate, o Cine Odeon, a Piazza della Signoria, a Casa della Creatività, a Piazza del Duomo, a Piazza Santa Maria Novella, a Galleria degli Uffizi e a Piazza Santa Croce sao apenas alguns dos incriveis cenarios do mega evento que inclui em seu programa atividades workshops, exposiçoes, exibiçoes esportivas, performances, degustaçoes, apresentaçoes cinematograficas e muitos shows musicais.

A cidade-berço de grandes genios da humanidade (leia mais aqui) prepara-se para estimular a imaginaçao de seus visitantes, tendo em mente que a criatividade é um resultado de inteligencia+alegria. Dias agitados e ricos em conhecimento, se alternam a noites animadissimas, envolvendo qualquer um numa atmosfera singular e vibrante.

Alem de Florença, o Festival esse ano envolve outras cidades toscanas, como Siena, Prato, Livorno, Pisa e Grosseto sob a forma de "T. Box". Trata-se de uma sessao do evento dedicada ao territorio que destaca os aspectos criativos e sua vocaçao a criatividade aplicada.

Uma semana antes do Festival, estas cidades receberam um grande container onde foram hospedados projetos especificos de cada uma delas. Depois, os containers serao expedidos a Florença, onde serao reabertos ao publico, criando um percurso que conecta todas as locaçoes do evento.

Trata-se de um evento multiplo e delicioso, dificil de ser traduzir em palavras e que merece, muito, ser vivenciado. Se estiver na cidade nesse periodo, va e depois passe aqui para contar a sua experiencia! Veja outras informaçoes no site oficial.




Mais Florença para todos os viajantes!

Roberta Ristori 25 07:09


Queridos, interrompo o especial sobre curiosidades do universo artistico toscano para dar uma noticia bem interessantes a todos que estao com viagem marcada para Florença nos proximos meses.

Até o dia 15 de abril de 2011, os viajantes poderao usufruiur da promoçao "Più Firenze" (Mais Florença). Os visitantes serao recebidos com mimos que incluem produtos tipicos, visitas gratuitas a mostras e museus, diarias gratis em hoteis, pernoites gratis para crianças com menos de 12 anos no mesmo quarto dos pais, entre outras coisas.

O mais interessante do projeto é que agrada aos mais variados perfis de turistas - jovens, caisis, grupos de amigos e familias. As propostas mudam de acordo com o tempo de permanencia na cidade e as caracteristicas da estrutura hoteleira escolhida pelo viajante (particiam desde B&bs, até casas de época e agriturismos).

Seu premio pode ser um tour panoramico pela cidade, oi uso gratuito de bicicletas, os bilhetes para o transporte ferroviario ou urbano, ou o estacinamento gratis para o carro. Além disso, a Agencia para o Turismo de Florença (APT Firenze), oferece um kit de boas-vindas com material informativo super atualizado para que voce possa organizar melhor suas ferias.

Os hoteis participantes estao todos listados no site oficial da promoçao - piufirenze.com (tambem em ingles), e la mesmo voce recebera um voucher que sera sua "carta de identidade Più Firenze", alem do kit oferecido pela APT Firenze.

Nos restaurantes que aderiram à iniciativa, os turistas que mostrarem seus vouchers, receberao, no primeiro jantar, um avental de cozinha personalizado, no segundo, uma publicaçao ligada a enogastronomia do territorio e na terceira, uma garrafa de azeita extra-virgem produzido na provincia de Florença. Ja as crianças, terao a opçao de um menu simples, especialmente elaborado para a ocasiao, com preço especial de 10 euros e um livro ilustrado.


Quem chegar à cidade de trem, tambem tera vantagens. Apresentando o bilhete com destino "Florença", nos escritorios de informaçoes turisticas da APT, podera escolher entre um bilhete de entrada ao Museu do Palazzo Vecchio ou do Palazzo Medici Ricardi, ou ainda um ticket valido por 24 horas para os onibus urbanos.


Atençao apenas para um detalhe, a promoçao sera suspendida durante o periodo natalino e grandes eventos, como o Pitti Immagine. Outra observaçao importante, voce deve deixar bem claro, no momento de reservar sua hospedagem em um dos hoteis participantes, que quer se beneficiar da iniciativa. Voce nao podera solicitar sua inclusao depois de efetuada a reserva.

 





Filippos geniais

Roberta Ristori 2 07:44


Filippo Lippi foi uma personalidade difícil e excêntrica. Em 1450, por exemplo, foi obrigado a responsabilizar-se perante um tribunal devido a um documento falsificado. Seu escândalo mais famoso, entretanto, foi caso de amor do monge-pintor com a freira Lucrezia, que lhe rendeu dois filhos: o tabém fabuloso pintor Filippino Lippi e uma filha.

Sua genialidade era tão forte que nem mesmo a vida polêmica foi capaz de diminuir seu brilho. Seu filho Filippino, foi considerado um dos pintores florentinos mais destacados do final do século XV.

Ele iniciou o aprendizado com seu pai e depois foi aprendiz de Botticelli, de quem recebeu a influência que marcaria seu estilo. A estupenda combinação de mestres não poderia ter culminado num resultado menos espetacular.

Entre suas mais famosas obras estão "Visão de São Bernardo de Claraval", cuja riqueza de detalhes foi admirada pelo próprio Vasari, e os afrescos da Capela Strozzi no transepto de 

Santa Maria Novella. Principalmente nesta última, Filippino preconiza recursos estilísticos próprio do Maneirismo, o que faz dele um dos artistas mais progresssitas de seu tempo.

*Fonte: "A Arte da Renascença Italiana" - Rolf Toman, texto sobre A Pintura do Primeiro Renascimento em Florença e no Centro da Itália de Barbara Deimling.

**A imagem que ilustra o post é da pintura "A Visao de San Bernardo de Claraval", de Filippino Lippi.

Ghirlandaio e a atualização dos acontecimentos bíblicos

Roberta Ristori Reply 07:19

Domenico Ghirlandaio transferiu as cenas bíblicas para as ruas e praças florentinas, deixando ainda participar de seus acontecimentos as personalidades locais de maior renome.

Ele foi um dos maiores pintores de afrescos de seu tempo. Pintou algumas das obras mais importantes da década de 1480. Anteriormente havia trabalhado com Botticelli, Perugino e Rosselli na Capela Sistina, em Roma.

Lindíssima obra é a "Adoração do Menino pelos Pastores" que foi pintada para decorar a capela da família Sassetti na Igreja de Santa Trinità em Vallombrosa. Fascinante a perfeição da expressão dos rostos dos pastores, cada ruga, o olhar enlevado. Maravilhoso, assim como "Retrato de um Homem Velho com um Menino", que hoje está no Louvre.

Os afrescos que pintou na Igreja de Santa Maria Novella estão entre as obras mais importantes de Ghirlandaio. Interessante o contrato firmado entre o artista e Giovanni Tornabuoni que estipulava que a obra deveria ser pintada inteiramente por Ghirlandaio, do início ao fim e que também deveria enriquecer a cena con figuras, castelos, cidades, colinas, idumentárias e animais.

Ainda de acordo com o contrato, nos termos do próprio Giovanni,  a obra deveria contribuir para a glória de Deus, mas também para a glorificação da casa Tornabuoni.

*Fonte: "A Arte da Renascença Italiana" - Rolf Toman, texto sobre A Pintura do Primeiro Renascimento em Florença e no Centro da Itália de Barbara Deimling.

**A imagem que ilustra o post é da obra "Adoraçao do menino pelos pastores"

***Feriado maravilhoso para todo mundo e na quarta-feira, 13, estou de volta!


Alessandro di Mariano di Vanni Filipepi

Roberta Ristori Reply 07:32


Alessandro di Mariano di Vanni Filipepi, ou simplesmente Sandro Botticelli (ou, Sandro "Barrilzinho") foi um dos maiores gênios do Renascimento e um dos meus gênios preferidos!

O pintor fiorentino foi aprendiz de outro dos meus favoritos, o maravilhoso Filippo Lippi. A segurança e soberania do jovem artista estavam evidentes desde suas primeira obras, como no caso de "Adoração dos Reis Magos", quadro encomendado pelo novo rico florentino Guasparre del Lama.

O primeiro nome de del Lama (Gaspar) determinou o tema da pintura - o 1º dos 3 reis magos era seu padroeiro de nome. Botticelli inclui ainda no quadro, o seu auto-retrato e os membros mais importantes da família Medici.

O artista é muito conhecido pela sua sequência de pinturas com tema mitológico como o "Nascimento da Vênus", provavelmente criado para os Medici. Uma de suas pinturas mais famosas e enigmáticas é a "Primavera", cujos significados não foram totalmente explicados até hoje.

A obra estava destinada a Lorenzo di Pierfrancesco, primo de Lorenzo, il Magnifico. De acordo com um inventário de 1492, a pintura estava pendurada no palácio de Lorenzo, ao lado de outro quadro de Botticelli, "Camila e o Centauro".

O conjunto das duas pinturas seria a representação do ideal sublime de amor.  Camila seria identificada como Minerva, a deusa da Sabedoria. Camila também é a heroína amazônica da Eneida de Virgílio e apresentada como um modelo de castidade e modéstia.

Já os centauros, os animais fabulosos metade homem e metade cavalo, são geralmente considerados o símbolo da luxúria. No quadro, Camila o agarra pelos cabelos, impedindo suas intenções de sair à caça. Desta forma, a obra poderia ser interpretada como a vitória da castidade sobre a luxúria.

Na Primavera é representado um lindo jardim florido, com Vênus e Cupido ao centro, Zéfiro, o vento, que surge do lado direito, impetuoso, perseguindo uma ninfa assustada que deixa cair as flores que carrega na boca, misturando-se com seu vestido, as 3 graças, que acompanham Vênus e dançam do lado esquerdo e Mercúrio, o guardião do jardim.

Considerando as duas pinturas juntas, obtemos o ideal do amor de acordo com o formulado pelo filósofo neo-platônico Marsilio Ficino, muito presente na corte dos Medici. Ele consideraca o amor como uma dicotomia entre o desejo físico-terreno e outro espiritual orientado para Deus, que via como a contraposição entre a sensualidade e a intelectualidade, matéria e espírito.

Zéfiro encarna a paixão indômita cuja antítese é representada pela Graça do meio que, sem qualquer ornamento, está de costas para o espectador, parecendo ser o alvo das flechas do Cupido. Sem prestar atenção a dança de suas amigas e aos acontecimentos em torno de Zéfiro, ela olha absorta para Mercúrio que com sua pose e olhar direcionado para cima à esquerda, aponta para fora da pintura.

A direção deste movimento não apontava para o vazio, mas fazia a conexão com "Camila e o Centauro". A transformação da Graça do centro encontra seu ponto alto em Camila. Enquanto Zéfiro dá liberdade a sua paixão carnal e à sua luxúria, estas são dominadas por Camila no Centauro. Mercúrio serve como ponto de ligação entre as duas figuras femininas, o que também corresponde à sua função de mensageiro dos deuses.

*Fonte: "A Arte da Renascença Italiana" - Rolf Toman, texto sobre A Pintura do Primeiro Renascimento em Florença e no Centro da Itália de Barbara Deimling.

**A imagem que ilustra o post é um detalhe de "A Primavera", no qual aparece Zéfiro perseguindo a ninfa Cloris.



Movimento estático

Roberta Ristori 2 11:06


Giambologna, na realidade, Jean de Boulogne, nasceu na localidade flamenga de Douai. Em 1561 entrou a serviço dos Medici, quando passou por Florença para conhecer melhor o trabalho de Michelangelo.

Baseando-se nas idéias do mestre florentino e de Cellini, Giambologna desenvolveu um novo conceito que supera a forte influência da Antiguidade no Renascimento. Seu elemento de composição de maior destaque é a "figura serpentina".

A "figura serpentina" consiste em uma volta espiralada ascendente de figuras ou grupos de figuras. O Rapto das Sabinas, maravilhosa escultura que está na Piazza della Signoria, é um excelente exemplo desse tipo de composição.

A tríade  - Rômulo, o sabino vencido agachado no chão e a sabina raptada em seus braços, que olha pedindo ajuda ao marido uma última vez. Cada ângulo da escultura oferece uma vista totalment nova, mas sem que as figuras percam a unidade.

*Fonte: "A Arte da Renascença Italiana" - Rolf Toman, texto sobre a Escultura da Renascença Italiana de Uwe Geese.

**A imagem que ilustra o post é do Rapto das Sabinas e foi tirada do site scultura-italiana.com

Casto Ammanati

Roberta Ristori 5 09:02

O primeiro discípulo de Bandinelli e depois de Jacopo Sansovino, em Veneza, o escultor florentino venceu em 1560, o concurso para o projeto da Fonte de Netuno, na Piazza della Signoria.

Dentre outros mestres, haviam participado Cellini e Bandinelli. Este último morreu e não pode acabar de trabalhar o bloco de mármore gigantesco que lhe haviam dado para trabalhar a figura central da fonte.

De qualquer forma, já estava prevista uma estátua de Netuno que Amanatti começou a trabalhar em 1561. Pouco depois de ter terminado a fonte em 1575, o escultor sofreu uma crise religiosa de tamanha proporção que o levou a condenar todas as suas obras, incluindo a Fonte de Netuno, por conter um grande número de nús.

*Fonte: "A Arte da Renascença Italiana" - Rolf Toman, texto sobre a Escultura da Renascença Italiana de Uwe Geese.

**A imagem que ilustra o post é da Wikipedia

Os 8 ângulos de Perseu

Roberta Ristori 2 07:09

Filho do engenheiro e artesão Giovanni Cellini, Benvenuto já aos 13 anos era aprendiz de ourives, mais precisamente de Michelangelo Brandini, pai de seu futuro inimigo Baccio Bandinelli.

Foi Cosimo I quem lhe encomendou a estátua de Perseu, para a Piazza della Signoria. O duque já tinha uma idéia da escultura, cujo modelo Cellini executou imediatamente em cera.

Ao contrário do plano inicial, Cellini aumentou substancialmente o tamanho da estátua, talvez por querer concorrer com as demais esculturas da praça, como Judite e Holofenes de Donatello, o David de Michelangelo (o original estava ali inicialmente), e o Hércules e Cacus de Bandinelli.

Cellini colocou o seu Perseu sobre um pilar de mármore quadrangular decorado e preencheu os nichos com estatuetas de bronze. Decorou também os cantos do pilar, remetendo aos 8 pontos de vista sob os quais uma estátua pode ser contemplada.

*Fonte: "A Arte da Renascença Italiana" - Rolf Toman, texto sobre a Escultura da Renascença Italiana de Uwe Geese.

O bloco de mármore que se atirou no Arno

Roberta Ristori 2 07:51

Em todas as épocas, partes e culturas existem os invejosos, problemáticos e presunçosos. No Renascimento não foi diferente, Baccio Bandinelli assumiu este papel e foi sempre apontado assim por seus contemporâneos, dentre eles, os grandes Vasari e Benvenuto Cellini.

De acordo com Vasari, ele teria despedaçado o cartão da Batalha de Cascina de Michelangelo, exposto na sala de sessões por puro ódio do rival.

Filho do ourives, Michelangelo Brandini, o artista recebeu sua primeira formação na oficina de seu pai. Depois, o apoio e ligações deste com os Medici lhe assegurou o mecenato para toda a vida.

Em 1508, Bandinelli recebeu a incumbência de esculpir um Hércules abatendo Cacus para a Piazza della Signoria. O transporte do bloco de mármore de Carrara para Florença gerou novos motivos de piada sobre as habilidades escultórias do artista.

Durante o trajeto, próximo a Florença, o bloco caiu no Arno e logo correram histórias de que o próprio mármore se atirara no rio em desespero ao saber que iria ser mutilado por Bandinelli.

*Fonte: "A Arte da Renascença Italiana" - Rolf Toman, texto sobre a Escultura da Renascença Italiana de Uwe Geese.

**A imagem que ilustra o post é da Wikimedia


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